domingo, 4 de julho de 2010

Guarujá X Águas de Lindóia

Desde o começo do mês anterior, que estou para postar alguma coisa sobre o Guarujá, minha cidade de nascimento e Águas de Lindóia, localizada a 170km da capital São Paulo, cidade onde estive com meu esposo.

Todos sabem que o Guarujá, no litoral do estado de São Paulo, foi considerada a "Pérola do Atlântico". Sinceramente, conheço essa informação desde que me entendo por gente, uma vez que nasci lá. Mas, também, desde que me conheço por gente (de novo...), discordo do apelido.

Guarujá é um dos quinze municípios paulistas considerados estâncias balneárias pelo estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do Estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar junto a seu nome o título de estância balneária, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.

Entretanto, de acordo com o vereador Professor Romazzinni, do PT (era, pelo menos...), Guarujá conta hoje com cerca de 70 favelas, e com 68% da população total de 209.000 habitantes, nelas morando. Os preços de moradia, entretanto, atingem patamares de Avenida Paulista, e o custo de vida foge completamente da realidade.

Ainda nessa semana, encontrei-me com uma amiga e ex-colega de trabalho, que fez uma consideração bem interessante: segundo ela, o Guarujá está fechando. Como assim, você deve estar se perguntando? Bem, nosso comércio, que para sobreviver precisa colocar os preços lá em cima, está perdendo para as grandes cadeias que, infelizmente, devido ao ex-prefeito Farid Madi, foram implantadas bem na área turística da cidade. Ou seja, em qual outra cidade do litoral, você encontra "na areia da praia", lojas como Kallan Calçados, Americanas, Casas Bahia e Ponto Frio (ambas com caixas de som para fora, no último volume, tocando PAGODE ou MÚSICA SERTANEJA)???

Alia-se a isso, a falta de educação dos moradores da cidade. Desculpe-me, mas eles mesmos, os 68% que vivem em favelas. Porque se lá na periferia é normal jogar lixo no chão, na área turística também é normal. O som alto, que sai dos speakers dos Tempras, dos Omegas, dos Monzas, também pode. Eles estacionam seus veículos na orla da praia e ligam o som, no último volume.


Morro da Vila Zilda, na entrada de Guarujá.

Infelizmente, ainda falando de Guarujá, nossos morros, cuja geografia lembra, ainda que remotamente, a cidade do Rio de Janeiro, também estão destruídos. Os casebres sobem, sobem, sobem, e nas chuvas de verão, correm o risco de vir abaixo. Aí, vem o Governo do Estado e dá apartamento para eles, com parcelas de R$ 38,00/mês. Sinceramente, o nosso país não tem jeito...

Já, em Águas de Lindóia, as coisas são um pouco diferentes. Estância Hidrotermal, graças a qualidade de suas águas minerais, a cidade vive e respira turismo. Não importa a época do ano, faça frio, faça calor, chuva ou sol, tem sempre gente andando por lá. Não existem favelas. Existem bairros pobres. Não existe sujeira nas ruas, porque os moradores sabem que, se sujarem, espantarão os turistas e aí, o modo de sobrevivência da cidade irá sofrer grande mudança.

Águas de Lindóia localiza-se quase na divisa de São Paulo com Minas Gerais. Está a 950 metros acima do nível do mar, sendo que no Morro Pelado, está o ponto mais alto, cerca de 1.500 metros. A cidade conta com quase 20.000 habitantes e oferece variada estrutura para os turistas. O comércio é variado, mas foca-se na malharia, onde pode-se comprar roupas de excelente qualidade. O melhor mesmo, no entanto, é visitar o balneário municipal (com piscinas, banhos de imersão e saunas) ou explorar o turismo ecológico, culminando com o Morro Pelado, que possui atividades radicais como tiroleza e arvorismo e atividades rurais como cavalgadas, etc.

Entrada da cidade de Águas de Lindóia.

O que eu mais gosto acerca de Águas de Lindóia, entretanto, é a educação de seus moradores e o baixo custo de vida. Lá, você não é obrigada a escutar um pagode nas alturas vindo de um Tempra estacionado na rua, só porque o motorista assim o quer. Você também não precisa pagar R$ 65,00 por um filé mignon a parmegiana com fritas, se quiser almoçar fora (ah, sim, no Guarujá custa isso ou mais, dependendo da localização do restaurante).

Por essa e por outras, penso sinceramente em mudar-me, após meus últimos contratos a borda da Disney Cruise Lines, juntamente com o maridão, para Àguas de Lindóia!

Quem não conhece a cidade, fica então a sugestão.Vale a pena ir para Águas, em detrimento do Guarujá. Nunca pensei que falaria isso, indo contra a minha própria cidade... mas confesso, já faz um certo tempo que eu tenho vergonha de dizer que sou guarujaense.

2 comentários:

  1. Vc falou a verdade sobre Águas de Lindóia, e para te animar, gostei tanto que já estou morando desde março.
    Um bom período para vir conhecer é agora em julho, tem o FESTIVAL DE INVERNO... imperdível.
    Se quiser uma indicação de hotel, sem dúvida o ZANON!!!
    Ricardo

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  2. De fato, tudo o que falou sobre Guarujá, infelizmente é verdade .
    Sobre Aguas de Lindoia ?
    Tudo correto. A cidade parece de brinquedo, onde todos se divertem sem incomodar os outros.
    Limpeza, jardins, gramados, flores, calendário turístico, tudo preparado para receber turistas e não só os veranistas como em Guaruja.

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