quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Os Negros Rumo Ao Topo

Li na Revista Veja de 25/08/2010, uma excelente reportagem falando sobre a ascenção dos negros na sociedade brasileira. O texto, assinado pela jornalista Roberta de Abreu Lima, faz um traçado sobre a vida dos negros no Brasil após a implantação do sistema de cotas.

Dentre inúmeros dados interessantes, registrou-se na última década, um aumento notável da presença dos negros brasileiros no grupo dos mais ricos. Sabe-se, portanto, que em 1998, eles eram 8% da população rica e hoje, atingem 15%. Além disso, afirmou-se que a Educação Superior foi determinante para esse resultado e hoje, os negros são 7% dos jovens nas salas de universidades.

Os números ainda são pequenos, em uma sociedade que tem cerca de 41% de sua totalidade feita de negros (segundo dados do IBGE, 2001). Ainda graças ao mesmo instituto, o Brasil tem hoje 14 milhões de negros e mais da metade deles pertence a classe média.

O que eu gostaria de postar aqui é uma situação que me chamou muito a atenção. Refere-se a opinião de alguns negros entrevistados, no que tange ao sistema de cotas. Uma das mais extensas pesquisas realizada nos USA para avaliar as medidas de ação afirmativa (conduzida pelo economista negro Thomas Sowell em 2004), comparou resultados com experiências semelhantes levadas a cabo em quatro países como Índia, Sri Lanka, Malásia e Nigéria. Suas conclusões formam o mais racional e desapaixonado conjunto de razões para não se adotar o sistema de cotas e outras leis discriminatórias:

1) A idéia de temporariamente favorecer um grupo de pessoas em razão de sua raça é o primeiro passo para a eternização do racismo.
2) Grupos não beneficiados pelas cotas são encorajados a cometer fraudes para obter as mesmas vantagens (vi um monte de branco dizendo ser pardo para entrar no sistema de cotas).
3) A triagem por raça tende a favorecer os negros ricos em prejuízo dos brancos pobres.

Um dos entrevistados, André Oliveira, mestre em finanças e com bem sucedida carreira em multinacionais, diz: "A política de cotas é um estímulo ao comodismo e não ao mérito." Além disso, ele diz que "... varei muita madrugada para chegar aonde estou."

Achei muito interessante o texto e sei que vai tocar na ferida. Muitos negros país afora já possuem uma atitude preconceituosa, ou seja, qualquer problema que enfrentam, acontece porque "eles são negros". Sou contra o sistema de cotas, porque não perco meu tempo desmerecendo os negros. Considero-os pessoas normais e capazes. Podem se destacar (como um branco) ou podem se ferrar (como um branco). A vida não é mais fácil para os loiros e brancos.

Gostaria muito que todos os negros pudessem ler esse texto e se orgulhassem de sua raça. E parassem de se fazer de vítimas de um preconceito mínimo que existe no Brasil. Experiência de quem é casada com um indiano e viveu na pele o preconceito de um país como a Índia.

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