domingo, 11 de julho de 2010

Incredible India (2)

O país de meu marido é um lugar de contrastes que sempre me deixa com opiniões distintas e, muitas vezes, contraditórias. Um país de belezas naturais e de grande cultura, com setores da economia em crescimento veloz (indústria têxtil, cinema, música, indústria farmacêutica, etc) que apresenta enormes índices de pobreza, corrupção, terrorismo, com resultados alarmantes no grau de desenvolvimento do país.

Obviamente, nao é minha intenção vir aqui e falar mal de um país que já existia, antes mesmo do Brasil ter sido descoberto pelos portugueses. A minha intenção é tentar entender como, um país de grandes dimensões, com riquezas exemplares, se perde na corrupção, no abandono de sua população, no abandono de seus recursos naturais, entre outros detalhes.

Primeiramente, deve-se entender a importância da religião para a população. A Índia é composta basicamente de 6 religiões distintas: o hinduísmo, com 80% de seguidores, o islamismo com 13%, o cristianismo com 3%, o sikhismo com 2%, enquanto os outros 2% de seguidores estão divididos entre budismo e janismo. A importância da religião para os indianos é muito grande e sobrepõe as próprias necessidades físicas, culturais, éticas e morais que uma pessoa precisa para viver em boas condições. Isso significa que, na Índia, desde que se possa viver em harmonia com suas crenças, tudo vai bem... mesmo que a população viva nas ruas, em casebres, não tenha o que comer, ou viva em condições miseráveis.





Infelizmente, os indianos nao sabem exigir de seus governantes, melhores condições de vida. E o pior... além de não saberem exigir, eles também não tem interesse em exigir. Obviamente, o governo indiano também não se esforça em melhorar a vida de seus habitantes. O país tem excelente agricultura e minérios... as principais produções são o arroz, a cana de açúcar, o amendoim, a mostarda, o grão de bico, o milho, a batata, o coco, a banana e o chá enquanto que na mineração, encontram-se ferro, bauxita, manganésia, cromite, zinco, cobre, chumbo, ouro e diamantes. Os recursos energéticos englobam carvão e petróleo e gás natural. Tudo destina-se ao uso interno e a exportação. Mas, mesmo assim, o país é pobre, com mais da metade de sua população vivendo na pobreza.

Uma vez, eu ouvi uma frase que me deixou meio injuriada: "A religião é a escória do mundo". Na época, não concordei. Hoje, concordo. Uma população que somente vive em função da interpretação radical de livros religiosos (Afeganistão, Paquistão, Iraque, Irã, todos os "stão", países do Oriente Médio presos a interpretação errônea e radical do Corão) não consegue crescer culturalmente e, consequentemente, social e economicamente.

Outra coisa que me deixa louca!!! Os indianos não tem interesse nem dinheiro para melhorar suas condições de vida, mas dinheiro para assistir a todos os filmes de Bollywood e, pior, se intereram da vida pessoal de Salman Khan, de Aamir Khan, de Satrina Kaif e tão muitos outros, ah!!! isso eles têm. Pergunte a um indiano alguma coisa sobre a política interna de seu próprio país? Ele não sabe! Mas, pergunte a ele onde estava o Salman Khan ontem a noite, que ele te responderá com detalhes!





Aliás, convém dizer que os filmes indianos, apesar de garantirem uma excelente diversão, não retratam em nada a realidade do país, que ainda está preso a convencionalismos religiosos e que força sua juventude a perpetuar o absurdo cultural e religioso em que está inserida. Na tentativa de modificar essa realidade, alguns atores estão produzindo filmes mais radicais, com o objetivo de introduzir na mente dos indianos a necessidade premente de se modificar pensamentos e atitudes para o alcance do desenvolvimento social e cultural do país (ex: Taare Zameen Par com Aamir Khan ou My Name is Khan, com Shah Rukh Khan).

Gostaria muito que o país de meu marido fosse um lugar melhor e que o êxodo de indianos rumo aos USA, Austrália, South Africa e UK fosse menor. Gostaria que as pessoas de lá tivessem melhores condições de vida e que se orgulhassem de um país justo, com tolerância religiosa, com qualidade de vida e crescimento cultural e social. Quem sabe isso ainda venha a acontecer num futuro próximo? Espero que sim. Eu, sinceramente, sou super orgulhosa de meu marido e amo dizer a todos que tenho em casa um indiano maravilhoso, que me completa, que me ajuda e que me ama.  

Enquanto isso não acontece na longínqua Índia, eu abraço a causa e tento, através de meus textos, fazer com que a minha opinião chegue aos indianos e as brasileiras(os) com eles(as) envolvidas. Quem sabe, eles venham a entender o recado.



Um comentário:

  1. Oi Lucy!

    Passando aqui p te fazer uma visitinha!

    pois é, a India seria um grande país, se não fosse a "cabeça" da maioria dos indianos, que são extremamente arraigados a tradições e não questionam absolutamente nada - e por conta disso, perpetuam coisas absurdas como sistema de castas, dotes, repressão sexual, casamentos arranjados etc etc

    Eu sempre digo pro meu marido q o problema não é sujeira, nem feiúra. O que me impediria de morar lá é o preconceito e intolerância deles a tudo o que é diferente. Continua sendo um país maravilhoso e surpreendente para se visitar,mas nunca para morar.

    Beijokas!

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